quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O Brasil refém das Igrejas e da vitória a qualquer preço – questão do aborto

Foi com muita tristeza quando soube que a candidata Dilma Roussef declarou ser contra o aborto sem informar que isso seria irrelevante na sua presidência ( o que dá a entender que adotará o que for possível para não haver aborto) para obter uns apoios religiosos e tentar fechar a eleição no 1° turno.

As pessoas têm opinião sobre o tema, o que não quer dizer que sendo presidente, precisem adotar essa visão. Se assim fosse, não haveria aborto em países católicos e há em alguns deles.

Para governar é necessário apoios, mas isso funciona até certo ponto. Daí, não há jeito, vence a maioria.

Primeiramente, cabe destacar, sou contrário ao aborto. Admito-o em fase embrionária, ou seja, até 8 semanas antes da formação fetal, aproximando meu pensamento ao de Aristóteles, Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, pois entendo que um embrião não tem alma, mas o feto sim.

Mas se eu fosse o Presidente da República não vetaria se o parlamento aprovasse um plebiscito sobre o tema e não vetaria uma lei sobre aborto embrionário. Admito que teria dificuldades de sancionar uma lei prevendo aborto fetal.

Em 1962, houve a aprovação do Estatuto da mulher casada. Essa lei mudava a capacidade jurídica da mulher, de análoga do menor de 16 a 18 para igual ao homem.

Essa lei foi sancionada pelo “comunista” João Goulart.

O divórcio, apesar dos esforços do Sen. Nelson Carneiro, só foi aprovado graças ao presidente Ernesto Geisel, único presidente protestante do Brasil. Sem Geisel, talvez o divórcio fosse aprovado no Brasil nos anos 90.

Mesmo sendo eleito graças ao besta do Aznar, o Zapatero (presidente do governo espanhol) aprovou o aborto e o casamento homossexual. José Sócrates fez o mesmo em Portugal ( país mais católico que o Brasil).

A partir do momento que um candidato diz de forma implícita que não aceitará o aborto no Brasil, qualquer proposição no Congresso é inútil. Não adianta fazer lista de deputados contra o aborto se o presidente é contra esse tema.

Ou seja, é provável que tenhamos 24 anos de governos do PT (8 do Lula, 8 de Dilma e 8 de Lula) e isso nunca será sequer discutido de verdade, por apoios em eleição de religiosos? E lei da união civil homossexual então? Será que essa questão terá de ser resolvida antidemocraticamente por juízes que se acham superiores aos homens comuns?

A escravidão nos Estados Unidos terminou numa guerra. A escravidão no Brasil só acabou porque caiu de maduro ( e o Império pagou o pato). E Ruy Barbosa ainda teve que queimar os registros senão o Brasil teria de pagar indenizações aos escravistas.

É importante agregar para poder governar, isso é fato, mas até que ponto isso vale a pena? Até que ponto vale a pena criar um governo Frankenstein? Reforma política, por exemplo, não sai do lugar há mais de 10 anos. Aí, reclamam dos Enéas, Clodovis e Tiriricas...

Isso não mudará meu voto em Dilma Roussef, mas sinceramente fiquei muito decepcionado.

Depois, quando um presidente da República de outro partido encarar o tema e vencer, não adiantará chorar, afinal, Geisel é quem aprovou o divórcio no Brasil.

Um abraço do tosco

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Violação de sigilo fiscal no dos outros é refresco.

O Brasil precisa decidir qual o caminho seguir: ou realmente respeita os direitos garantidos pela Constituição ou faz que nem o Terra Samba que libera geral.

O que não pode é haver um “ sistema” que transforma violações de sigilo fiscal de certas pessoas como barbárie ou ameaça à democracia e de outras como meios para a “limpeza” do Brasil.

Explica-se: Em 2005, com o escândalo do Mensalão, a verdadeira face de José Dirceu foi exposta, mas o achincalhe foi demais. De uma hora para outra, todos os dados fiscais dos envolvidos foram expostos na televisão de forma CRIMINOSA.

Se os dados mostravam alguma ilegalidade fiscal, o lugar para se mostrar isso não é o Jornal Nacional ou a Folha de São Paulo. Ou será que se houvesse a descoberta de um grande crime fiscal cometido pela filha do Sr. Burns, estas mídias publicariam da mesma forma que publicaram o de José Dirceu ou adotariam outro comportamento?

Os famosos “dossiês” de Antônio Carlos Magalhães eram isso, crimes de violação de sigilos, mas que eram ignorados pelo “crime” que o lesado cometia.

O que quero dizer com isso é que a lei tem de ser igual a todos. Verônica Serra não é melhor que José Dirceu, nem pior.

Só quando houver um país que se respeita a todos, é que acreditarei que a violação do sigilo de Verônica Serra é um crime tão grave que a mídia diz que é.

Até lá, não acho o crime tão grave.

Um beijo do tosco.