Foi com muita tristeza quando soube que a candidata Dilma Roussef declarou ser contra o aborto sem informar que isso seria irrelevante na sua presidência ( o que dá a entender que adotará o que for possível para não haver aborto) para obter uns apoios religiosos e tentar fechar a eleição no 1° turno.
As pessoas têm opinião sobre o tema, o que não quer dizer que sendo presidente, precisem adotar essa visão. Se assim fosse, não haveria aborto em países católicos e há em alguns deles.
Para governar é necessário apoios, mas isso funciona até certo ponto. Daí, não há jeito, vence a maioria.
Primeiramente, cabe destacar, sou contrário ao aborto. Admito-o em fase embrionária, ou seja, até 8 semanas antes da formação fetal, aproximando meu pensamento ao de Aristóteles, Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, pois entendo que um embrião não tem alma, mas o feto sim.
Mas se eu fosse o Presidente da República não vetaria se o parlamento aprovasse um plebiscito sobre o tema e não vetaria uma lei sobre aborto embrionário. Admito que teria dificuldades de sancionar uma lei prevendo aborto fetal.
Em 1962, houve a aprovação do Estatuto da mulher casada. Essa lei mudava a capacidade jurídica da mulher, de análoga do menor de 16 a 18 para igual ao homem.
Essa lei foi sancionada pelo “comunista” João Goulart.
O divórcio, apesar dos esforços do Sen. Nelson Carneiro, só foi aprovado graças ao presidente Ernesto Geisel, único presidente protestante do Brasil. Sem Geisel, talvez o divórcio fosse aprovado no Brasil nos anos 90.
Mesmo sendo eleito graças ao besta do Aznar, o Zapatero (presidente do governo espanhol) aprovou o aborto e o casamento homossexual. José Sócrates fez o mesmo em Portugal ( país mais católico que o Brasil).
A partir do momento que um candidato diz de forma implícita que não aceitará o aborto no Brasil, qualquer proposição no Congresso é inútil. Não adianta fazer lista de deputados contra o aborto se o presidente é contra esse tema.
Ou seja, é provável que tenhamos 24 anos de governos do PT (8 do Lula, 8 de Dilma e 8 de Lula) e isso nunca será sequer discutido de verdade, por apoios em eleição de religiosos? E lei da união civil homossexual então? Será que essa questão terá de ser resolvida antidemocraticamente por juízes que se acham superiores aos homens comuns?
A escravidão nos Estados Unidos terminou numa guerra. A escravidão no Brasil só acabou porque caiu de maduro ( e o Império pagou o pato). E Ruy Barbosa ainda teve que queimar os registros senão o Brasil teria de pagar indenizações aos escravistas.
É importante agregar para poder governar, isso é fato, mas até que ponto isso vale a pena? Até que ponto vale a pena criar um governo Frankenstein? Reforma política, por exemplo, não sai do lugar há mais de 10 anos. Aí, reclamam dos Enéas, Clodovis e Tiriricas...
Isso não mudará meu voto em Dilma Roussef, mas sinceramente fiquei muito decepcionado.
Depois, quando um presidente da República de outro partido encarar o tema e vencer, não adiantará chorar, afinal, Geisel é quem aprovou o divórcio no Brasil.
Um abraço do tosco